19 ago 2019

O antigo negócio de taxas no setor bancário desaparecerá em breve no Brasil e novas maneiras de ganhar dinheiro nesse mercado precisarão ser discutidas. Hoje você conhecerá o impacto dos neobanks e o que eles estão causando no Brasil.

Por BRUNO DINIZ*

O Brasil, mais uma vez, se tornou uma joia entre os países emergentes. A perspectiva positiva sentida desde o início do ano (com um novo presidente sinalizando uma agenda econômica mais liberal) impulsionou os mercados acionários locais a níveis recordes.

As boas expectativas somadas com alguns fatores, como a crescente base de consumidores no País (que tem uma população de + 200M) e vastas oportunidades de acelerar o consumo interno com produtos e serviços financeiros, estão chamando a atenção dos bancos (que registraram lucros recordes no último ano) e das fintechs. Entre as fintechs, há um certo tipo que está preparado para uma guerra interessante no Brasil, os neobanks.

Como as fintechs e os neobanks estão atingindo o sistema tradicional

Os primeiros players a entrar na arena do neobanking foram o Banco Original (primeiro do tipo no Brasil, iniciado já com uma licença bancária porque nasceu sendo a unidade de varejo de uma instituição tradicional), o Nubank (a maior fintech do Brasil, que iniciou como uma empresa de cartão de crédito e oferta alguns produtos bancários, semelhante ao N26 na Europa) e Neon (começou como um cartão pré-pago chamado Controly e, agora, oferece serviços bancários graças a uma parceria com o Banco Votorantim).

Outros players vieram depois, como o Banco Inter (a estratégia digital do banco anteriormente conhecido como Intermedium), Superdigital (iniciativa do Santander), Next (iniciativa Neobank do Bradesco, uma das maiores instituições locais), o BS2 (iniciativa digital do anteriormente conhecido como Banco Bonsucesso), Agibank (anteriormente conhecido como Banco Agiplan), Pag! (do Grupo Avista) e do C6 Bank (uma nova instituição fundada por ex-sócios do BTG Pactual).

Guga Stocco

Recentemente, há notícias de novos players entrando neste espaço, como o Banco Pan (que tem o BTG Pactual como um de seus sócios e lançará sua operação digital em junho) e a Caixa Econômica Federal, instituição estatal que fez uma joint venture com a empresa GR1D, criando a Holding Money Ex, que irá operar uma nova instituição digital separada, tendo o ex-diretor de inovação do Banco Original, Guga Stocco, como um dos chefes da operação e, também, a família do Banco BMG no negócio. O neobank da Caixa não estará operacional tão cedo, olhando todo esse panorama, mas seria um grande concorrente nesta guerra.

Além disso, temos os neobanks internacionais, que podem incluir o Brasil em sua rota, já que seus planos de expansão atingem a América Latina ― como o Revolut e o já citado N26. Eles levantaram dinheiro recentemente para expandir globalmente e têm uma estratégia muito clara para isso.

A maioria dessas novas instituições se concentra no público pessoa física, às vezes com um foco específico, como o C6, que tem como alvo os clientes premium inicialmente. Outros, como Neon e Inter, também oferecem contas para as PMEs (que, acredito, é um segmento que realmente precisa de alternativas bancárias mais baratas e melhores). É possível que muitos players comecem a oferecer um pacote atrativo padrão (com cartões de crédito de crédito com anuidade zero, contas sem taxas etc.), enquanto lutam pelo mesmo grupo de clientes.

A quebra dos bancos

O antigo negócio de taxas no setor bancário desaparecerá em breve no Brasil e novas maneiras de ganhar dinheiro nesse mercado precisarão ser discutidas.

Levando em conta a implementação do open banking por alguns neobanks, parece possível que eles consigam gerar diferentes fluxos de receita, estabelecendo conexões e parcerias com outras fintechs, oferecendo experiências diferentes (e customizadas) para seus clientes. Isso seria uma grande revolução para o setor no Brasil!

Não podemos esquecer que também existem algumas fintechs que podem ser consideradas “shadow banks” (não precisam de uma licença bancária para operar, mas oferecem produtos bancários semelhantes), como o Banco Maré (voltado para pessoas sem banco que vivem em comunidades carentes), Avante (fintech focada em PMEs e microcrédito) etc.

E também há casos de algumas fintechs (que estavam fora do radar como potenciais neobanks) que estão obtendo licenças bancárias, como o PagSeguro, que comprou um banco recentemente e pode começar a oferecer soluções bancárias à sua base de usuários. O Mercado Livre também recebeu uma licença para se tornar uma empresa financeira e começará a oferecer sua própria conta digital e outros produtos financeiros. Eles estão comprometidos em criar um banco digital com ambição regional (Latam).

Todos esses novos jogadores e soluções, definitivamente, tornarão esse mercado extremamente competitivo, começando a abocanhar parte de um mercado dominado pelas instituições tradicionais.

“Alguns dos players (como os grandes bancos que estão criando seus próprios neobanks) têm muito dinheiro para continuar nessa luta.”

Os novos entrantes, certamente, terão uma árdua tarefa vindo para cá… Esta briga se tornará uma grande e sangrenta batalha, elevando o padrão dos bancos locais. Está acontecendo na Europa e é apenas uma questão de tempo para acontecer aqui. O tempo (e os resultados operacionais de todos esses neobanks) dirá quem sobreviverá a essa grande (nova) batalha.

*Head do comitê de Fintech da ABStartups (Associação Brasileira de Startups), fintech advisor, speaker e professor, que tem fomentado a inovação para o setor de serviços financeiros na América Latina. É cofundador da Spiralem Innovation Consulting, empresa de consultoria focada em fintechs.

P.S.: Bruno Diniz, Guga Stocco e outras feras do universo das fintechs estarão reunidos em um programa inédito que acontecerá dias 25, 26 e 27 de outubro na Be Academy. É a imersão A Era das Fintechs, onde você vai aprender — exclusivamente com profissionais de destaque nesse mercado — as bases para criar e escalar uma startup financeira. Clique aqui para saber mais sobre o curso e garanta uma das poucas vagas restantes.

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