Como as escolas devem agir diante da paralisação obrigatória de suas atividades?

A pandemia de coronavírus pegou as instituições de ensino de surpresa. Muitas delas não estão preparadas (ainda!) para entregar conteúdos online, sendo esta a única alternativa no momento. Saiba mais no bate-papo de Bruno Pinheiro, CEO da Be Academy, e Daniel Cavalcante, especialista em Direito Educacional, dentro do Resilientes Summit

POR TARCISIO ALVES
JORNALISTA E COPYWRITER

A escalada do COVID-19 no Brasil obrigou ao fechamento de uma série de negócios, entre eles as instituições de ensino. Isso vem causando um grande impacto no setor, já que suas atividades ainda são fortemente presenciais. O resultado é que, agora, muitas dessas empresas discutem o que fazer para driblar os efeitos negativos da crise e prosseguir com suas atividades.

Para falar dessa questão, o CEO da Be Academy, Bruno Pinheiro, convidou o especialista em Direito Educacional Daniel Cavalcante, que atua para grandes grupos educacionais no País (Ser Educacional, Kroton, Cruzeiro do Sul, Mackenzie, entre outros), na educação superior e básica, além de sindicatos e entidades representativas de ensino superior.

Cavalcante, inclusive, montou um gabinete de crise porque várias instituições estão com dúvidas e incertezas sobre o que fazer. “Tudo isso pegou as instituições de surpresa, embora muitas já estivessem preparadas para aulas a distância”, comenta ele, que vê agilidade por parte do Ministério da Educação na busca por soluções.

“O ministério criou um comitê operativo de emergência e passou a editar portarias para regulamentar principalmente o nível superior”, exemplifica.

No entanto, devido não só a fatores regulatórios como, também, operacionais, escolas que não estavam credenciadas para a oferta de ensino a distância estão tendo mais dificuldade para realizar esse serviço.

Nas palavras de Daniel Cavalcante: “Muitas instituições não estavam preparadas, né? Primeiro porque elas não eram credenciados para o ensino a distância. Aquelas instituições que já eram credenciadas para o EAD já têm a utilização dos seus respectivos sistemas para cumprir aquilo a que tinha sido credenciadas. Então, elas tiveram maior facilidade de adaptação. Outras entidade, não. Elas estão sofrendo um pouco para fazer essa adaptação, mas estão fazendo essa oferta também”. 

Na opinião dele, vai haver muita procura por plataformas de ensino. “Tem algumas que são gratuitas e outras que são pagas. Essa é uma nova realidade e, inclusive, dependendo do que acontecer, isso pode se tornar uma realidade para as instituições: a migração total ou parcial do ensino presencial para o ensino a distância”, opina. 

Como fica o online na educação básica?

Existe uma discussão para saber se o ensino a distância é efetivo para crianças. E o Ministério da Educação discute se, no período de pandemia, deve haver diminuição do ano letivo, principalmente para a educação básica.

No entanto, de acordo com Daniel Cavalcante, vários colégios estão utilizando o ambiente virtual para transmitir as disciplinas.

Para Bruno Pinheiro, se o governo federal ou os Estados não aprovem a redução do ano letivo, não devem dar férias para os professores agora. “É o momento de começar a entender como atuar nesse universo online, estudar como transmitir esse conteúdo online”, incentivou.

Ele citou o exemplo da escola de origem canadense Maple Bear, que tem mantido duas horas de cronograma por dia. “Dessa forma, as crianças vão continuar com o aprendizado e as escolas continuarão funcionando”, resumiu.

Bruno Pinheiro reforçou a ideia: “No meu ponto de vista, as escolas não devem atentar a regras. É mais importante elas irem se adaptando. Se o MEC liberar esse conteúdo como válido, ótimo. Se não liberar, eu acho que as escolas precisam continuar entretendo os alunos. Pode não ter a mesma eficiência, mas duas horas de cronograma por dia vão facilitar o aprendizado”.

Escolas públicas x escolas privadas

O grande problema, lembrou Daniel Cavalcante, é que a lei vale tanto para escolas privadas quanto públicas. “O grande medo dos educadores é que, nesse período, haja uma diferença muito grande entre alunos de escolas públicas e privadas, justamente por causa do benefício tecnológico (das instituições com mais recursos).

Para ele, a sugestão de as escolas se adaptarem a esse novo modelo é válida, independentemente da diminuição do ano letivo ou não, porque, no final das contas, o que vai prevalecer é o desenvolvimento do aluno. “É ele ter acesso e começar a ver o mundo de outra forma para aprender de outra forma. Eu sei que estamos passando um período muito difícil, mas essas tecnologias para os alunos de educação básica podem ser essenciais e, inclusive, podem ser uma grande mudança de paradigma educacional dessas crianças”, comentou.

Já acostumado a dar aulas online há seis anos, Bruno Pinheiro não só acha esse caminho natural como o defende. “Tudo isso que está acontecendo, no meu ponto de vista, vai gerar um avanço gigantesco para a educação”, disse ele.

Bruno criticou o fato de as escolas manterem o mesmo modelo de ensino de 200 anos atrás, enquanto muitos professores têm, ainda, a mentalidade de que a educação só acontece dentro da sala de aula. “Eu acho que nada substitui a sala de aula, mas a educação online precisa estar cada vez mais presente. Porque ou a escola está no celular ou o aluno vai estar no YouTube.”

Fluxo de caixa é outro problema para as escolas durante a pandemia

É fato que as escolas — mesmo privadas — não conseguirem ofertar serviços online, muito provavelmente, vão ficar paradas até o final da pandemia. “O prejuízo já aconteceu”, pontuou Daniel Cavalcante. E isso está ligado a outro problema grave, que é o fluxo de caixa. “Já tem abaixo assinados de pais, em alguns Estados, para não pagar as escolas”, apontou ele.

O conselho é que haja um acordo para que as escolas consigam receber as mensalidades para pagar os professores e, quando a pandemia terminar, compensar esses valores junto aos pais, pegando empréstimo de instituições financeiras. “Até porque os contratos de prestação de serviço de escolas são anuais”, observou.

“Nesse momento, é importante verificar aquilo que vai minimizar o custo da instituição. Então, é necessário ficar atento, inclusive, às convenções coletivas que estão sendo refeitas… É importante que a instituição se utilize desses benefícios legais para que ela possa prorrogar esse passivo que está sendo criado, para que seja colocado em forma de parcelamento lá na frente. As certidões negativas também foram prorrogadas para que as instituições possam pegar empréstimo…”

“A sugestão é que elas busquem minimizar o prejuízo e o custo da entidade, que ela possa prorrogar ao máximo isso, para que ela possa pagar lá na frente… Que as instituições tentem um acordo com os pais, porque, neste estado de pandemia, não existem nas escolas a prestação de serviço. Mas os pagamentos devem ser feitos e podem ser compensados lá na frente. De fato, a manutenção da prestação de serviço por intermédio de novas tecnologias minimiza o problema, porque a instituição não deixa de prestar o serviço.”

Essa crise dever durar meses. Então, é preciso agir rapidamente, em vez de esperar

Na visão de Bruno Pinheiro, realmente o pensamento dos donos de escola, neste momento, tem que ser “como eu posso minimizar o prejuízo?”. E a melhor forma é manter atividades online. E mandou um recado diretamente a ele: “Vocês, donos de escola, têm que esquecer a sala de aula (presencial) e começar a pensar como eu posso fazer essa atividade online. Porque senão a solução não vai chegar”.

“Eu acho que nós precisamos estar preparados para um cenário de 6 meses sem aulas. A chance disso acontecer é muito grande. Espero, assim como todos vocês, que isso não aconteça, mas as escolas precisam estar preparadas para esse cenário”, comentou Bruno. “As escolas que já estiverem online, com certeza, vão diminuir, e muito, a inadimplência”, ressaltou.

“Eu sou um nativo digital, eu vivo o digital faz seis anos. Então, para mim, 90% do que se faz em sala de aula é possível fazer online, com a ajuda dos pais. Vai ter a mesma eficiência? Olha, talvez não. Mas é melhor ter do que ficar sem fazer nada. As escolas que ficarem sem fazer nada, os pais vão deixar de pagar.”

Escolas não podem perder conexão com seus alunos

Para Daniel Cavalcante, é importante que a instituição se conecte com seus alunos neste momento, em vez de apenas aguardar o final da crise. “Tem um problema administrativo, porque alguns Estados proíbem o funcionamento das escolas. Então, a solução seria ofertar serviços, por mais que não sejam reconhecidos pelo Conselho de Educação. É uma nova forma de ver o ensino a partir de um enclausuramento forçado. Uma solução de tecnologia neste momento é muito bem-vinda”, declarou.

Para as instituições que não sabem que tipo de tecnologia utilizar na hora de conversar com os pais, a sugestão de Bruno Pinheiro — “mais rápida, simples e barata” — é o zoom. “Vai usando o zoom, aprendendo com o zoom… Os pais estarão cientes que vocês estão aprendendo com isso e não tem problema. Estarão aprendendo na prática, que é o que a gente chama de mvp (minimum viable product) da internet.”

“A sugestão é que a prestação de serviços continue, que as escolas não percam o vínculo com os alunos, não esperem esse período passar”, frisou Cavalcante.

Tecnologia é a maior aliada para manter a saúde do setor

Para o especialista, a gente está vivendo um período bastante difícil, e a tecnologia veio para ficar em virtude desse cenário caótico que a gente está vivendo. “Que as escolas tentem passar conteúdo para os alunos, independentemente da questão regulatória das secretarias estaduais de educação”, aconselhou. “Uma hora essa crise vai passar e a gente têm que sair mais forte disso. As pessoas têm que aproveitar esse período para inovar.”

Bruno Pinheiro aproveitou para dar dicas práticas aos donos de escolas: “É o momento de estar próximo. Crie cronogramas diários, grupos no whatsapp, comece mandando áudios, depois vídeos com os professores explicando os conteúdos. Podem ser vídeos caseiros, mesmo. O negócio é entrar em ação”.

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